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Você alguma vez já pensou em seguir os conselhos de Timão e Pumba e se alimentar de insetos? Pois saiba que muitas pessoas ao longo da história da humanidade já! Os insetos foram utilizados na alimentação humana em muitas culturas, e ainda hoje são utilizado em alguns lugares. Essa prática é conhecida como Antropoentomofagia (do grego, Anthropos = ser humano; do grego, Entomon = insetos; do grego, Fagia = comer; ou seja, o consumo de insetos por humanos).

Na nossa cultura ocidental, a Antropoentomofagia não é tão comum, mas algumas pessoas dizem que esse é o alimento do futuro, e o hábito vem se difundindo novamente. E é claro que os cupins também entraram na roda dos petiscos.

São conhecidas mais de 43 espécies de cupins que são utilizadas como alimento por humanos ao redor do mundo. No Brasil, algumas espécies dos gêneros Syntermes, Cornitermes e Nasutitermes são os mais utilizados na culinária humana. Veja no final da página a tabela com uma lista feita por Figueirêdo e colaboradores em 2015.

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Em muitas culturas indígenas amazônicas, os soldados de Syntermes são coletados através de um pequeno buraco no cupinzeiro com a ajuda de um capim ou cipó fino. Esse capim ou cipó é inserido no buraco e, quando os soldados mordem ao tentar defender a colônia, são puxados para fora e coletados. Esses soldados são preparados no calor de um forno antes de serem degustados. (veja a foto ao lado, vai falar que não ficou com vontade de experimentar! ;-). É interessante que esses povos evitam destruir o cupinzeiro nesse processo de captura, assim eles não acabam com as colônias e não esgotam essa fonte de alimento.

Em Roraima e na Venezuela, os soldados de Syntermes são utilizados para fabricar uma gostosa pimenta chamada Kumache. Essa pimenta tem a base de mandioca brava, que precisa ser cozinhada por muito tempo para retirar suas toxinas, e depois é incrementada com os cupins para dar um gosto especial. O pequeno documentário abaixo feito pela National Geographic explica um pouco sobre essa curiosa pimenta:

Sobre as pessoas que dizem que os insetos são o alimento do futuro, é porque quando comparados a outros animais normalmente utilizados como fontes de proteínas (como vaca, porco e frango, principalmente), a capacidade que os insetos (incluindo os cupins) têm de converter seu alimento em proteína é muito maior. Para se ter uma ideia, utilizando a mesma quantidade de ração para alimentar os animais, enquanto um fazendeiro produz um quilo de carne bovina, é possível produzir 9 Kg de insetos.

Além disso, a carne bovina, por exemplo, possui entre 20 e 30% de proteína, enquanto alguns insetos podem chegar a 65% de proteína (os cupins não chegam a tanto, mas possuem entre 33 e 39%). Os insetos de uma forma geral, também são ricos em ferro, cálcio, entre outros nutrientes que variam de espécie para espécie. Isso sem contar outras questões, como o consumo de água e espaço, que para criação de insetos a exigência é muito menor do que para outras fontes de proteína. Isso os torna uma opção de alimento sustentável e economicamente vantajoso.

E aí, vai um cupim ao ponto?!


Lista de cupins utilizados na alimentação humana, e de outros animais.

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Modificada de Figueirêdo et al. (2015).


Agradecimento à Edgar Crispino pelo relato da experiência pela Amazônia e pela foto cedida.


Referências
Figueirêdo, R. E. C. R., Vasconcellos, A., Policarpo, I. S., & Alves, R. R. N. (2015). Edible and medicinal termites: a global overview. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, 11(1), 29.

Kinyuru, J. N., Konyole, S. O., Roos, N., Onyango, C. A., Owino, V. O., Owuor, B. O., … & Kenji, G. M. (2013). Nutrient composition of four species of winged termites consumed in western Kenya. Journal of food composition and analysis, 30(2), 120-124.


Texto por Gabriel Nappi


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By Tiago Carrijo
Published 24 Oct 2019 10:51