Cupim da semana!

Família: Kalotermitidae


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Você já se deparou com um móvel ou batente de porta infestado por cupins? Em que a madeira fica toda danificada, quebradiça, e um punhado do famoso “pozinho do cupim” são encontrados no chão ou dentro do móvel?

O pozinho que cai do móvel ou batente provavelmente são as fezes do cupim dessa semana: a espécie Cryptotermes brevis.

Essa é uma espécie de “cupim de madeira seca”, uma das poucas espécies praga de cupim, sendo responsável por causar enormes prejuízos em várias cidades do nosso país, além de ser a espécie de cupim que tem a maior distribuição geográfica nos dias de hoje, pois foi introduzida pelo ser humano em boa parte do planeta (se tem registro de C. brevis em pelo menos 70 países) [1].

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No arquipélago português de Açores, por exemplo, o gasto destinado ao tratamento de infestações de C. brevis e à substituição de materiais potencialmente atrativos para estes cupins pode ultrapassar 200 milhões de Euro s[2]. Na Austrália, um controle massivo de C. brevis limitou sua dispersão no país, mas todo o processo custou mais de 1,6 milhões de dólares [3].

O que possibilitou C. brevis ser encontrada em todo o mundo, é o fato de que colônias inteiras vivem dentro de pedaços pequenos de madeira seca, as quais podem ser comercializadas e transportadas para diferentes regiões. Uma vez introduzida em ambientes favoráveis, essas colônias podem se estabelecer e prosperar [4]. Mas se C. brevis foi tão espalhado pelos humanos em todo mundo, de onde ele veio? Qual é o ambiente natural de C. brevis?

Existem duas possíveis hipóteses para tentar responder essa pergunta. Estudando algumas espécies de cupins no Havaí, pesquisadores encontraram colônias de C. brevis infestando madeira em áreas florestais. Por ser uma espécie próxima de Cryptotermes darwini, nativa das Ilhas Galápagos, os cientistas sugeriram que C. brevis poderia ser uma espécie nativa do arquipélago de Galápagos, a qual foi introduzida no Havaí por humanos ou que chegou à ilha havaiana através de troncos boiando no mar. Depois de chegar à ilha, a ocupação humana teria possibilitado uma melhor adaptação de C. brevis, devido a construção com muito uso de madeira [5].

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A segunda hipótese é de 2009, onde colônias de C. brevis foram observadas em madeira velha em áreas de plantação de uva no Chile. Estudos biogeográficos conduzidos nessa região indicam que o Chile e o Peru são possíveis regiões de origem para C. brevis, sendo os únicos lugares onde colônias deste cupim são encontrados no interior e no exterior de residências [6].

Possivelmente embarcações espanholas durante os séculos XVI e XVII, carregando troncos infestados partindo do Chile e do Peru foram as responsáveis por dar início a introdução de C. brevis em outras áreas do planeta.


Saiba mais:
[1] CABI - https://www.cabi.org/isc/datasheet/16441
[2] Guerreiro, O., Cardoso, P., Ferreira, J. M., Ferreira, M. T., & Borges, P. A. (2014). Potential distribution and cost estimation of the damage caused by Cryptotermes brevis (Isoptera: Kalotermitidae) in the Azores. Journal of economic entomology, 107(4), 1554-1562.
[3] Peters, B. C. (1990). Infestations of Cryptotermes brevis (Walker)(Isoptera: Kalotermitidae) in Queensland, Australia 1. History, detection and identification. Australian forestry, 53(2), 79-88.
[4] Nunes, L., Amaral, C., Duarte, S., & Gaju, M. (2009). Drywood termites in the Azores: Problems and tentative solutions.
[5] Scheffrahn, R. H., Su, N. Y., Chase, J. A., Mangold, J. R., Grace, J. K., & Yates III, J. R. (2000). First record of Cryptotermes cynocephalus Light (Isoptera: Kalotermitidae) and natural woodland infestations of C. brevis (Walker) on Oahu, Hawaiian Islands. Proceedings of the Hawaiian Entomological Society, 34, 121-125.
[6] Scheffrahn, R. H., Křeček, J., Ripa, R., & Luppichini, P. (2009). Endemic origin and vast anthropogenic dispersal of the West Indian drywood termite. Biological invasions, 11(4), 787-799.


Texto: Iago Bueno


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By Tiago Carrijo
Published 14 Apr 2018 01:14